
Floresta de amores passados
E eram Mulheres
Que transformaram-se em árvores sem folha
Nesta minha, ainda, floresta de lembranças
Às vezes o vento presente
Me mostra sua planície sem vida
De árvores secas que já distam muito
Das sementes que as originou
A tentativa inútil de muitas vezes
Inspirar o inodoro
Insinua uma provável incompetência
Vividas em um passado que entra em metamorfose
A cada visita minha
O Presente, sempre generoso
Solta minha alma
Me olhando profundamente nos olhos
Permitindo-me voltar
Ele sabe
Já não lhe dou mais tanto trabalho
De retornar aos pedaços
Exigindo que me costure de novo
Então, na medida em que encolho
Chego bem perto
Até sentir de perto os galhos
Que chegam a riscar a minha carne
Por dentro
Me ocorre minha postura
Curva
Esboço um leve sorriso de canto de boca
Sei que posso voltar
Deste lugar que já me feriu profundamente
Sobrevôo mais um pouco
Com a certeza de que seria impossível
Receber a semente futura que o Presente anuncia
Sem sobrevoar com lucidez
Esta minha propriedade falida
Que o Pai Tempo esfarela em suas mãos
Lentamente.
Marcelo Montenegro Lins


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